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Osteoartrite: muito além do desgaste das articulações

A osteoartrite não é apenas um desgaste inevitável da idade. Entenda seus sintomas, fatores de risco e por que movimento e fortalecimento integram o tratamento.

5 min de leitura

A osteoartrite, também conhecida como artrose, é uma das doenças articulares mais comuns. Pode causar dor, rigidez, limitação dos movimentos e dificuldade para realizar atividades do dia a dia, afetando principalmente joelhos, quadris, mãos e coluna.

Durante muito tempo, a osteoartrite foi explicada simplesmente como um “desgaste” da articulação causado pela idade. Hoje sabemos que essa definição é incompleta. A osteoartrite é uma doença complexa de toda a articulação, que envolve alterações da cartilagem, do osso, da membrana sinovial, dos músculos e de outras estruturas ao redor da articulação.

E, embora se torne mais frequente com o envelhecimento, osteoartrite não é uma consequência inevitável da idade.

O que é osteoartrite?

As articulações são estruturas formadas por diferentes tecidos que trabalham em conjunto para permitir o movimento.

Na osteoartrite, ocorrem alterações progressivas nesse ambiente articular. A cartilagem pode perder parte de suas propriedades, o osso abaixo dela pode sofrer modificações e podem surgir osteófitos, popularmente conhecidos como “bicos de papagaio”. Em algumas pessoas, também pode haver algum grau de inflamação da articulação.

Essas alterações não acontecem da mesma maneira em todas as pessoas. Algumas apresentam alterações importantes nos exames de imagem e pouca dor, enquanto outras podem ter sintomas significativos com alterações radiográficas menos expressivas.

Por isso, o tratamento deve considerar a pessoa e seus sintomas, e não apenas o resultado de uma radiografia ou ressonância.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas variam de acordo com a articulação acometida e com a fase da doença.

Entre os mais frequentes estão:

  • dor durante ou após determinadas atividades
  • rigidez curta após períodos de repouso
  • dificuldade para iniciar alguns movimentos
  • redução da mobilidade da articulação
  • crepitação (estalos) durante o movimento
  • aumento do volume ou mudança no formato de algumas articulações
  • dificuldade para subir escadas, caminhar, agachar, levantar-se ou realizar atividades com as mãos

A dor da osteoartrite pode oscilar. É comum existirem períodos melhores e outros de piora, algumas vezes relacionados ao aumento da sobrecarga ou a episódios de inflamação da articulação.

Quem tem maior risco de desenvolver osteoartrite?

A idade é um dos fatores associados à doença, mas está longe de ser o único.

Também podem contribuir:

  • histórico de lesões ou traumas articulares
  • excesso de peso, principalmente na osteoartrite dos joelhos
  • determinadas atividades profissionais ou esportivas com sobrecarga articular repetitiva
  • alterações no alinhamento das articulações
  • fraqueza muscular
  • fatores genéticos
  • algumas doenças metabólicas ou articulares

Em muitos casos, vários desses fatores estão presentes ao mesmo tempo.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria das vezes, o diagnóstico da osteoartrite começa por uma boa avaliação clínica, considerando os sintomas, sua evolução e o exame das articulações.

Radiografias são úteis para avaliar alterações estruturais, e exames como ultrassonografia e ressonância magnética são reservados para situações específicas, principalmente quando existem dúvidas diagnósticas ou necessidade de avaliar outras estruturas.

Também não existe um exame de sangue específico para diagnosticar osteoartrite. Exames laboratoriais podem ser solicitados quando é necessário excluir outras causas de dor ou inflamação articular.

Osteoartrite tem tratamento?

Sim. Embora ainda não exista um tratamento capaz de restaurar completamente uma articulação com osteoartrite, existem diversas estratégias para reduzir a dor, melhorar a função e manter a pessoa ativa.

E um ponto é especialmente importante: o tratamento da osteoartrite não deve ser baseado apenas em medicamentos. Eles não mudam a evolução da doença.

Movimento e fortalecimento fazem parte do tratamento

A atividade física é uma das principais estratégias para o tratamento da osteoartrite.

É comum que uma pessoa com dor tenha receio de movimentar a articulação por acreditar que o exercício poderá aumentar o desgaste. Na maioria das situações, porém, o movimento adequado não prejudica a articulação, ele faz parte do tratamento.

Exercícios de fortalecimento muscular, atividades aeróbicas e exercícios de mobilidade podem ajudar a:

  • reduzir a dor
  • melhorar força e estabilidade
  • preservar a mobilidade
  • facilitar atividades do cotidiano
  • melhorar o condicionamento físico e a qualidade de vida

O tipo e a intensidade dos exercícios devem respeitar a condição clínica, as limitações e a capacidade de progressão de cada pessoa.

O peso corporal também pode fazer diferença

Para pessoas com sobrepeso ou obesidade, especialmente quando existe osteoartrite dos joelhos ou quadris, a redução de peso pode diminuir a sobrecarga sobre as articulações e contribuir para melhora da dor e da função.

E os medicamentos?

Medicamentos podem fazer parte do tratamento, principalmente para controle da dor durante períodos de maior intensidade dos sintomas.

Dependendo do caso, podem ser utilizados:

  • analgésicos
  • anti-inflamatórios tópicos ou por via oral
  • algumas medicações específicas para determinados perfis de dor
  • infiltrações articulares em situações selecionadas

A escolha deve considerar a articulação acometida, intensidade dos sintomas, idade, outras condições de saúde e possíveis riscos relacionados aos medicamentos.

Não existe uma única medicação ou suplemento capaz de resolver a osteoartrite isoladamente. O melhor resultado costuma vir da combinação de diferentes estratégias.

O tratamento vai além da articulação

Dor crônica é influenciada por diferentes aspectos da saúde. Sono inadequado, sedentarismo, perda de massa muscular, excesso de peso e saúde emocional podem interferir na maneira como a dor é percebida e no impacto que ela exerce sobre a rotina.

Por isso, o cuidado com a osteoartrite pode envolver:

  • atividade física regular
  • fortalecimento muscular
  • manutenção de um peso saudável
  • alimentação equilibrada
  • cuidado com o sono
  • fisioterapia quando indicada
  • estratégias de proteção articular e terapia ocupacional em situações específicas
  • atenção à saúde emocional
  • tratamento adequado de outras condições de saúde

Ter osteoartrite não significa parar de se movimentar

Receber um diagnóstico de osteoartrite não significa que a articulação esteja simplesmente “gasta” ou que a única alternativa seja evitar atividades para preservá-la.

Na maior parte das vezes, ocorre justamente o contrário: manter-se ativo, recuperar força muscular e encontrar formas seguras de continuar se movimentando são partes fundamentais do tratamento.

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