- Doenças Reumáticas
Espondiloartrite axial: quando a dor nas costas pode ser de causa inflamatória
Nem toda dor lombar tem origem mecânica. Conheça os sinais de uma possível dor inflamatória, como é feita a investigação e quais cuidados fazem parte do tratamento.

Dor nas costas é extremamente comum e, na maioria das vezes, está relacionada a causas mecânicas, musculares ou degenerativas. Entretanto, em algumas pessoas, principalmente quando a dor começa mais cedo (antes dos 50 anos) e apresenta determinadas características, ela pode ser manifestação de uma doença inflamatória chamada espondiloartrite axial.
Reconhecer esse padrão é importante porque muitas pessoas convivem com os sintomas durante anos antes de receberem o diagnóstico adequado.
O que é espondiloartrite axial?
A espondiloartrite axial é uma doença inflamatória crônica que acomete principalmente a coluna e as articulações sacroilíacas, localizadas na região de transição entre a coluna e a bacia (perto dos glúteos).
Quando uma dor nas costas deve chamar atenção?
Nem toda dor lombar significa espondiloartrite. Algumas características, entretanto, aumentam a suspeita de que a dor possa ter origem inflamatória.
Fique atento principalmente quando existe:
- dor lombar persistente iniciada antes dos 45-50 anos
- sintomas que começaram de forma gradual e permanecem por mais de três meses
- rigidez importante ao acordar (sensação de travamento)
- melhora da dor com movimento ou exercício
- pouca melhora ou piora durante períodos prolongados de repouso
- dor durante a segunda metade da noite, algumas vezes fazendo a pessoa se levantar ou caminhar
- dor alternada nas nádegas
- boa resposta da dor ao uso de anti-inflamatórios
Nenhuma dessas características, isoladamente, confirma o diagnóstico. O conjunto dos sintomas e o exame clínico é que orientam a investigação.
A doença pode causar sintomas além da coluna?
Sim. Apesar do nome “axial”, a espondiloartrite pode apresentar manifestações em diferentes partes do organismo.
Algumas pessoas podem apresentar:
- artrite (inflamação das articulações), principalmente em articulações dos membros inferiores
- entesite, que é a inflamação dos locais onde tendões e ligamentos se inserem nos ossos, frequentemente percebida como dor no calcanhar
- inchaço de um dedo inteiro da mão ou do pé, chamado dactilite
- uveíte, uma inflamação ocular que pode causar olho vermelho, dor, sensibilidade à luz e alteração da visão
- psoríase (que é uma doença autoimune da pele)
- associação com doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa
Como é feito o diagnóstico?
Não existe um único exame capaz de confirmar ou excluir sozinho uma espondiloartrite axial.
O diagnóstico é construído a partir da história clínica, exame físico, exames laboratoriais e exames de imagem. É como montar um quebra-cabeças. E o reumatologista é o médico indicado para esta avaliação e seguimento.
Exames de sangue também podem auxiliar na investigação. O HLA-B27, por exemplo, está associado às espondiloartrites, mas sua presença isolada não significa que a pessoa tenha a doença, assim como um resultado negativo não é suficiente para descartá-la.
A espondiloartrite axial tem tratamento?
Sim. O tratamento tem como objetivos controlar a inflamação e a dor, preservar a mobilidade da coluna e a capacidade funcional e reduzir o impacto da doença na vida cotidiana.
A escolha da medicação depende das características de cada caso, inclusive da presença de manifestações como psoríase, uveíte ou doença inflamatória intestinal.
O acompanhamento periódico é importante para avaliar não apenas a melhora da dor, mas também a atividade da doença, a função e a segurança do tratamento.
Movimento também é tratamento
Na espondiloartrite axial, o tratamento não se resume aos medicamentos.
A atividade física regular é uma parte fundamental do cuidado. Exercícios de mobilidade, fortalecimento muscular, condicionamento cardiovascular ajudam a preservar movimento, função e qualidade de vida.
Também são importantes:
- evitar o tabagismo
- cuidar da qualidade do sono
- manter uma alimentação equilibrada
- acompanhar a saúde cardiovascular e óssea
- realizar fisioterapia quando houver indicação
- manter a vacinação atualizada
- cuidar da saúde emocional e do impacto da dor crônica na rotina
O plano de cuidado deve considerar não apenas o controle da inflamação, mas também a capacidade da pessoa de permanecer ativa e realizar as atividades que são importantes para sua vida.
Dor nas costas persistente merece ser compreendida
Conviver com dor lombar por muito tempo não significa necessariamente que ela seja “normal”, consequência da postura ou algo com que seja preciso simplesmente aprender a viver.

